quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

ANA BRUNI CONCEDE ENTREVISTA EXCLUSIVA A VERA MATTOS.


As mulheres não querem lutar, querem viver!

Querem que lutemos pelos direitos que temos direito em nossa Cosntituição.

Não é aceitável se falar Violência Doméstica !

Temos de acusar os que afligem a Mulher!

O homem, este é o agressor!

Vera Mattos :QUAL A CONDIÇÃO DA MULHER HOJE EM DIA?

Ana Bruni: Desamparada. Abandonada. Discriminada. Humilhada.Desprotegida

O Brasil não respeita as Convenções assinadas pela erradicação da Violência contra a mulher. Toma medidas paliativas, mas não com o vigor e seriedade que temos direito.
A mídia não favorece as situações femininas, continuam nos discriminando em nossa posição social e impondo a massa a mulher objeto sexual ou a mulher sofrida.
Não nos respeitam como cidadãs,. Como podemos respeitar os poderes?
Não somos , nem queremos a tarja de vítimas. Somos Mulheres!
Não queremos proteção, exigimos nossos direitos!


Vera Mattos: COMO VC SE SENTE NA CONDIÇÃO DE PESSOA AMEAÇADA?

Indignada pelo silêncio da sociedade!
Esta é a ameaça maior! Que tudo pelo qual passamos continue por outros séculos!
Muitas já caíram, tropeçamos atualmente na poeira delas e para que? Para alcançarmos em 2007 estatísticas de mais mortes? Para acontecer o caso (mais atual) no Pará?
A violência pode ser física,porém a moral a psicológica é irreparável.
Assim nos matam em vida.
O que falta fazerem conosco?
O Brasil tem de por um fim na violência! A chamem de Praga, pois é exterminadora.


Vera Mattos: VOCÊ ACREDITA QUE OS ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS PRESTAM SERVIÇOS A CAUSA DA MULHER?

Ana Bruni: Falando exclusivamente sobre a Violência: Não nos interessa saber se conseguiram resolver assuntos de 100 ou 500 mulheres. As outras milhares em nosso país como ficam? Como sobrevivem ?
Existe por acaso um grupo que pode ter apoio e outro não?
Uma cidade ou capital em especial que as mulheres podem ter mais ajuda? E noutras pequenas comunidades como ficam as mulheres?
Estes órgãos têm o poder, tem recursos e muitos! Que não nos constrinjam a viver em guetos.Quando apelarmos a eles que venham em nosso socorro, que enviem pessoas que possam nos proteger e orientar.



Vera Mattos: O QUE É PIOR: A VIOLÊNCIA FAMILIAR OU O DESCASO DAS AUTORIDADES?

Ana Bruni: A violência familiar existe por causa do descaso das autoridades. Sabem os que nos atingem, que mesmo com a Lei 11.340 serão protegidos por seus advogados e serão agraciados com a morosidade da justiça ( entrega de intimações, etc. ).
Sabem aqueles que mesmo e quando condenados pela lei que voltarão a ameaçar suas vítimas, como de fato acontece.O rigor, a voz da autoridade não existe! È visível, audível o que estes com o poder transmitem para os agressores. Se sente a cumplicidade, é transmitido o sentimento de impunidade. As testemunhas são coagidas, intimidadas.
Quando em desespero manifestamos nosso medo em ser mortas dizem:

“Se a senhora morrer caçaremos os culpados!”

Quando não estamos de acordo com suas atitudes, nos ameaçam de prisão por desacato.

Prevenção não existe. As famosas 48horas para as medidas preventivas não existem!

O medo, o desamparo existe, é real.

Entre a opção de duas violências,familiar ou autoridades: Não existe o pior! Sua vida como mulher é destruída e ameaçada , seus princípios e bases éticas como cidadã despedaçados.
Nada sobra nestas opções.


Vera Mattos: ESTÁ SOB AMEAÇA DE MORTE?

Ana Bruni: Denúncias a integrantes da Polícia Militar , Civil, Órgãos de Segurança e Justiça nunca colheram bons resultados para os que se atreveram a fazê-las.
O resultado do Cala Boca Brasileiros está em nossa mídia . São juízes, advogados, policiais que agem protegidos por seus mantos e emblemas e mancham com sangue e muito sofrimento os juramentos daqueles honrados e íntegros que fazem parte destes órgãos de Segurança e da Justiça.
Existem valorosos e íntegros que combatem pela paz, não violência e pela justiça , mas não podem fazer milagres, não tem condição de irem contra o sistema a qual pertencem são pessoas que tem família, parcos ganhos, não são tão heróicos e destemidos que permaneçam do lado da vítima contra o corporativismo.

Ameaças de prisão, de internação em sanatórios sim. Apelido de um dos que denuncio : Matador

Caso algo me aconteça, será de origem particular ou policial?

Não me protegeram, me difamaram, usaram de abuso e prevaricação, fui agredida, se isto não são ameaças veladas não sei o que são?
Morte ? Já mataram a antiga mulher, esta não ressuscitará jamais. Seu sangue se transformou em lágrimas da mulher atual.


Como me disse uma desembargadora de outro estado;
Lemento Ana
Nem sei o que te dizer!


Vera Mattos:QUAL A SOLUÇÃO PARA SEU CASO? O QUE ESPERA QUE ACONTEÇA?

Em relação às autoridades da Policia Civil e Militar , investigação profunda e que se desculpem comigo oficialmente pelas atitudes , descaso e violência com a qual fui tratada .

Assim solicitei inicialmente em maio de 2006 a autoridade máxima da Policia Militar de
Ilhéus. Recebi desculpas verbais, quando solicitei em ofício se calaram, como calados estão até hoje.

Desejo que a sociedade retome a credibilidade nestes Órgãos. O povo não pode ter medo de denunciar. Policia e Justiça tem o dever de nos acolher, proteger e nos orientar.

Desejo que estes da policia e da justiça sintam que temos confiança na ética e integridade deles.
Que país é este onde o povo tem se defender de criminosos e dos que deveriam te proteger deles?


Vera Mattos: NESTA SEMANA DE ATIVISMO VOCÊ TEM ESPERANÇAS DE QUE ALGO POSSO ALTERAR A SITUAÇÃO EM QUE SE ENCONTRA ?

A situação na qual me encontro, é a mesma situação que se encontram centenas de mulheres.
Utopia pensar que meu caso teria alguma alteração, enquanto no Pará acontecem desmandos verbalizados na mídia, com aval de mulheres no poder e com a cumplicidade do silêncio da comunidade.
Tenho esperanças sim, que pelo menos estas mulheres que tem o poder e aquelas que comparecem a tantos Congressos, Fóruns e Seminários se unam não só pela voz, mas pelos seus atos em sociedade, que mostrem a cara, que se desculpem pelas suas omissões, que criem realmente um canal aberto, um histórico das muitas que aflitas buscam por socorro.

O 180 atualmente está melhor, no ano passado era um desastre. A mulher tem de ser reconhecida não como uma estatística , mas na sua individualidade.
Não somos todas Anas, ou Marias, existem Veras, Tanias, Lucias, Teresas, Lauras.
Temos nomes e cada qual sua história. Não temos tempo para conversa fiada, pra burocracia. Não temos recursos. Muita tem filhos, precisam sobreviver, se protegerem e aos seus.

Humanidade precisamos. Solidariedade necessitamos.

Uma que cai, que morre, que se suicida, que perde a razão,que vive por anos em depressão é mais uma ferida , uma chaga em nossa pretensa Constituição, aos Direitos Humanos.

Nenhuma pode cair, todas nós unidas devemos sustentá-la e acompanha-la em sua caminhada.!



Vera Mattos: QUE ORIENTAÇÃO VOCÊ PODE DAR A UMA MULHER PARA QUE SUA HISTORIA NÃO VENHA A SE REPETIR?

Não conte com ninguém , nem familiares, nem amigos, nem testemunhas. Conte com você e Deus.
Procure um advogado , vá junto com ele fazer, em caso de violência física, o exame no IML e depois sempre acompanhada vá a Delegacia, DEAM, prestar a ocorrência policial, o famoso BO.
Enquanto as Delegacias não mudarem sua postura em nossa relação, que as mulheres gravem seus depoimentos, como te atenderam, como te trataram. Façam cópias de toda documentação e provas entregues.
Sempre acompanhada de advogado procure o MP imediatamente, nem espere as famosas 48 horas. Em muito menos tempo poderão estar mortas, difamadas, acuadas. Caso não te atendam, entregue um ofício relatando a urgência e perigo da situação

Resumindo: Mulher se proteja de todas as maneiras. Não confie, não espere ajuda, use de todas as armas para que tenha segurança.

Muitas vezes fazem você de BO-BA com a sua BO

Trágico mas é a realidade.

5 comentários:

Rose Vitaly disse...

A orientação é muito importante. Obrigada por faz~e-la aqui.é necessário que as pessoas saibam como agir. É necessário que muitas vezes procurem ajuda psicológica. É necessário procurar sair da situação. Enfrentar. É necessário ser você mesma. Você é tudo aquilo que deseja, então deseje o melhor, porque você se torna melhor, principalmente melhor prá você. Só quando você é melhor prá você pode ser melhor pro outro. E, se pergunte : "eu existo?".
Vera, vá em frente.

www.divinascrueis.blogspot.com

Anônimo disse...

Só quem passa pela violência doméstica, sabe o que passamos e quanto temos um longo caminho a percorrer. Estou em uma luta contra a lentidão da justiça, é impressionante o que passamos.
Hoje liguei para um atendimento a mulher e fui informada pela advogada que terei que esperar muito ainda, estou sem ter onde morar, morando de favor, sem emprego, doente. Que País é esse??

Alonso disse...

A Ana Bruni é uma mulher de um caráter muito grande e invejável, apesar de todas traições que fizeram com ela e toda imoralidade e agressividade por parte das autoridades, ela permanece de cabeça em pé, na humildade e sendo muito agradável a quem vive por perto desta grande mulher.

Um abraço Ana

José disse...

Ao primeiro tapa diga adeus!

Uma das causas da violência à mulher é a crença que o homem vai mudar, que a agressão não acontecerá de novo e a mulher sempre pronta a perdoar, perdoa...

Outra causa é dependência que pode ser financeira ou mesmo afetiva.

A dependência financeira é fácil de entender é aquela situação em que a mulher se submete para que tenha comida para si e para seus filhos.

A dependência afetiva e/ou emocional não é fácil de explicar em poucas linhas e dificilmente psicólogos e psiquiatras conseguirão dar um diagnóstico preciso e um tratamento adequado.

O que aprendi é que devemos incentivar as mulheres a se tornarem fortes o bastante para que resolvam suas vidas e possam dizer NÃO, isto se chama resiliência, que é a capacidade do indivíduo de lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, estresse, etc. - sem entrar em surto psicótico.

A Ana Maria é uma lutadora, tem ajudado outras mulheres a se libertarem desta chaga que mancha nossa sociedade que é a violência contra a mulher.

A causa da DEFESA DA MULHER deve ser de todos os homens que amam e respeitam a mulher e também de todas as mulheres.

Lúcia Souza disse...

Todos os comentários são muito pertinentes...
Sou uma sobrevivente da violência doméstica. Em novembro de 2006, fui violentada em todos os meus direitos... sofri violência fisíca, psicológica... em fim só não sofri a violência sexual... passei mais de trinta dias sem poder trabalhar... denunciei... ele passou nove dias preso mais foi solto por ser reú primário já que a primeira esposa não tinha levado a denuncia adiante... todas as testemunhas já foram ouvidas e estamos agurandando desde do dia 04/10/07 a decisão do juiz. É muito tempo não é? mas todos dizem que meu processo "andou ligeiro". Como se isso fosse um favor. Ele está livre para cometer com outras o que fez comigo e com a primeira. Quando vai acabar? Nunca se não nos unirmos para denunciar, gritar e exigir nosso direitos. Não só como mulheres mas com gente. Tive sorte de encontrar um anjo da guarda.. Ana Bruni, nunca me deixou desistir, me deu forças, coragem, apoio para que eu não desnimasse. Tenho o maior respeito por essa amiga que apareceu na minha vida no momento certo. Ouçam o que ela diz, mulher batalhadora e corajosa com esta eu ainda estou para ver igual. Amigas não desanimem, força sempre, apesar de que poderemos resolver as marcas do corpo através da justiça burocrática dos homens, mas o medo, a insegurança, as calúnias, as toruras e o preconceito que sofremos por causa dessa violência isso vai estar na nossa alma para sempre, isso ninguém tira.