segunda-feira, 26 de novembro de 2007

14ª VIGÍLIA PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER


14ª VIGÍLIA PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
Salvador, 27 de novembro de 2007

A violência contra mulheres, baseada na posição e papéis mais consolidados para elas nas sociedades e no desequilíbrio de poder existente na maior parte as relações entre homens e mulheres, é uma das manifestações mais silenciosas e silenciadas desse complexo problema social. Enquanto a violência contra homens se expressa predominantemente como agressão física na rua, constituindo-se na primeira causa de morte de homens jovens, a agressão (física, psíquica, sexual, moral, patrimonial) contra mulheres acontece principalmente dentro de suas casas e é tão silenciada que muitas mulheres não a identificam ou reconhecem como a causa de sofrimento e dor em suas próprias vidas.
No entanto, pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo revelou que a cada 15 minutos uma mulher, no Brasil, está sofrendo violência por parte de alguém de suas relações afetivas e familiares muito próximas. Dessas, muito poucas procuram ajuda ou denunciam a situação de violência que vivem (a DEAM de Salvador atendeu uma média de 23 casos / dia em 2004).
Contra esta situação de invisibilidade é que o movimento de mulheres realiza amanhã, dia 27/11, das 17 às 19 horas, no espaço central da Estação da Lapa, mais uma vez (*), o ato público que denomina “vigília pelo fim da violência contra a mulher”, dando destaque à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher – DEAM, 1º serviço destinado a tratar especificamente desse problema e que fica no final de linha do Engenho Velho de Brotas.
A vigília deste dia 27/11 integra a Campanha Internacional 16 de Ativismo pelo fim da Violência contra as Mulheres, que este ano, no Brasil, tem como lema ESTÁ NA LEI. EXIJA SEUS DIREITOS: LEI MARIA DA PENHA! A vigília e a campanha visam dar visibilidade à violência contra a mulher como um problema social e divulgar a Lei Maria da Penha (Lei 11.340**), convocando toda a sociedade e as mulheres em especial para a mobilização necessária para garantir sua completa e efetiva aplicação no Estado da Bahia. Aplicação que se expressa inclusive na implantação e pleno funcionamento dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, e no desenvolvimento de ações e programas regulares – com previsão orçamentária - de prevenção, assistência e proteção às mulheres em situação de violência.



Salvador, 27 de novembro de 2007
Comissão de Violência / Forum de Mulheres de Salvador
CEAFRO - Programa de educação e profissionalização para igualdade racial e de gênero
DEAM – Delegacia Especial de Atendimento à Mulher
GT da Rede de Atenção a Mulheres em Situação de Violência

Contatos:
CEAFRO – 3321-2580 / 3322-2517
DEAM – 3261-0488 / 3245-5481 / 3116-7004
Luiza Huber – 92021653


(*) – a vigília acontece toda última terça-feira do mês, das 17 às 19 h.
(**) - Esta Lei, que recebeu o número 11.340 e o nome de Lei Maria da Penha (em homenagem a uma mulher que ficou paralítica devido a um tiro disparado contra ela por seu marido), “cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher (...); dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e estabelece as medidas para a prevenção, assistência e proteção às mulheres em situação de violência” (Título I).

2 comentários:

Ana Maria C. Bruni disse...

Mas já é tarde

Primeiro estupraram uma mulher
Mas eu não me importei com isso
Eu não era a vítima.

Em seguida agrediram outras
Mas eu não me importei com isso
Eu não era como elas

Logo estavam perseguindo outras mais
E eu não disse nada
Eu não vivia como elas

Em seguida abusaram sexualmente de menores
Mas eu não importei com isso
Elas não eram minhas conhecidas

Depois prenderam várias mulheres
Mas eu não me importei com isso
Porque não sou como elas

Em seguida difamaram outras
Mas eu não me importei com isso
Não era relacionado à minha vida
Também não me importei

Depois escutei seus gritos de socorro
Mas eu não me importei também com isso
Fingi que não os ouvi

Em seguida torturaram inocentes
Mas também não me importei
Estas situações acontecem com as outras

Agora estão me estuprando
Agora estão me agredindo
Agora me perseguem
Agora estão querendo me prender
Agora estão me difamando
Agora estão querendo calar a minha voz

Mas já é tarde
Como eu não me importei com as outras mulheres,
Não sobrou nenhuma para se importar comigo.

Ana Maria C. Bruni
www.territoriomulher.com.br

TERRITORIO disse...

Não estamos em países onde se apedrejam mulheres até a morte com pedras reais.
Porém estamos em um país onde somos apedrejadas por pedras da omissão, violência psicológica, descaso, agressões, ameaças, humilhações e difamações terríveis!
A violência que se comete contra a mulher não é exclusivamente física, mas psicológica e moral, o dano é irreversível , leva anos para ela conseguir superar, reaprender a confiar e amar e sua família, seus filhos sofrem as conseqüências

Limitamos nosso foco da Violência em relação ao homem, porém é mais do que isto, é um conceito enraizado em nossa cultura e sociedade.

Nossa sociedade se cala a violência, a casos de adultério, a prostituição, exploração infantil, as drogas. Ela é permissiva, complacente. Ela se isola, se exila dela própria, tem medo e descrédito dos Órgãos policiais e Judiciários criados por e para ela , então se omite, não se solidariza com o próximo.Vêem, sabem e escutam atrocidades, mas preferem viver no mundo do faz de conta.

A sociedade sabe que a mulher não tem o apoio das autoridades porém sente pavor em se envolver em assuntos que não interferem diretamente com suas vidas! Principalmente em cidades do interior o ato de comparecer numa delegacia ou em um Fórum como testemunha é aterrorizante!

Caímos todos então,juntos, perdemos os princípios então não podemos ter um bom final que não seja Violência!
Não temos apoio. Não temos a quem apelar! Igrejas, autoridades policiais e judiciais devem reformular seus conceitos humanos e sociais.

Temos leis no papel! Letras quase mortas! Precisamos que se cumpram. Precisamos de respeito, agilidade, presteza, simplificar os procedimentos e encarar a realidade de milhares de mulheres que sofrem !

Precisamos de mais Deams ( Delegacia de atendimento a mulheres )no interior, ou até que isto se concretize que cidades maiores ampliem sua jurisdições para poderem atender mulheres de cidades vizinhas. E de Casas Abrigo.

Precisam encarar a realidade. Não somos de papel!


Ana Maria C. Bruni