domingo, 20 de julho de 2008

Cuidar da vítima e do agressor & Violência doméstica

Cuidar da vítima e do agressor

Jornal de Brasília
18/07/2008

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Acada dia, pelo menos dez mulheres são vítimas de violência doméstica no Distrito Federal. Somente este ano, 2.055 casos de violência física, psicológica e verbal foram registrados na Delegacia de Atendimento a Mulher (Deam).

Mara Puljiz

Esses são dados apenas referentes às ocorrências formais de agressões contra as mulheres, o que indica que os números da violência doméstica podem ser ainda mais assustadores no DF se forem considerados os casos de violência contra crianças, adolescentes, idosos e homens adultos. Na intenção de mudar essa realidade e melhorar os serviços prestados às vítimas, o Conselho dos Direitos da Mulher, vinculado à Secretaria de Justiça (Sejus) anunciou, ontem, a criação de uma Rede Integrada de Combate à violência doméstica. A novidade é que a partir do próximo mês, 1.385 agentes públicos, entre policiais civis, militares e Organizações Não-Governamentais (ONGs), serão capacitados para melhorar o atendimento prestado às vítimas da violência doméstica. Os cursos terão 240 horas e a expectativa é q , até outubro, a ação integrada seja colocada em prática. "Vamos ter um trabalho mais humanizado e a mulher não vai precisar perder tanto tempo para receber atendimento", acredita a presidente do Conselho dos Direitos da Mulher, Mirta Fraga. Para o mês de agosto também estão previstos a criação de dois Centros de Referência, sendo um no Gama e outro em Taguatinga. Neles, tanto vítimas quanto agressores receberão orientação jurídica, tratamento psicológico e poderão participar de oficinas e cursos profissionalizantes. A intenção é conscientizar o agressor para que ele não volte a cometer os mesmos atos e renovar os laços afetivos e familiares. "Eu entendo que o gressor não somente deve ser punido, mas tratado. Se isso não acontecer, a tendência é que ele repita a violência com uma nova mulher e outra família vai sofrer", avalia a delegada chefe-adjunta da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), Adriana Aguiar.

Casos

Dentre as ocorrências de violência contra a mulher registradas este ano, 359 são de esão corporal, 889 de ameaça e 807 de injúria, em que o agressor humilha a vítima. No ano passado apenas a Deam registrou 885 casos de Mulheres que foram agredidas fisicamente pelo marido ou companheiro. Outras 1.768 ocorrências foram de Mulheres ameaçadas de morte e 1.368 de injúria. Embora os índices sejam considerados alarmantes,eles podem não representar a realidade uma vez que muitas Mulheres preferem o silêncio a denunciar o agressor. Segundo pesquisa feita pelo Data/Senado em 2007, apenas 40% do total de vítimas denunciam a agressão na delegacia. Para a delegada Adriana, a Lei 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, pode ter influenciado para que as vítimas fiquem mais cautelosas na hora de denunciar, já elas não podem mais retirar a queixa. "A gente percebe uma mudança dos crimes mais praticados. A lesão corporal, que antes ficava em segundo lugar, agora passou para terceiro e a injúria, que estava em erceiro lugar, está acontecendo com mais freqüência", compara. Segundo a delegada, a violência doméstica começa aos poucos, com agressões leves. "Ela vai aumentando com o passar dos anos, mas chega um ponto que a mulher não tem mais para onde correr e acaba denunciando", explica. Antes da Lei Maria da Penha um dos problemas mais recorrentes era que a mulher retirava a queixa contra o agressor, por querer preservar o relacionamento, ser dependente financeiramente do companheiro ou por acreditar que o agressor fosse mudar. Foi exatamente isso que aconteceu com Luciene* (nome fictício). Por 13 anos ela conviveu com a violência praticada pelo pai de seus três filhos. A bebida e o ciúme eram motivação para os constantes ataques. "Denunciei duas vezes e, na primeira vez, ele pediu para eu tirar a queixa porque prometeu mudar. Para não sair de casa, eu fiz o que ele pediu, mas em três meses ele voltou a fazer tudo de novo", relata a mulher que resolveu denunciar o caso na delegacia e há três meses está protegida na casa abrigo.

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Ana Maria C. Bruni

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